Em seus pés

outubro 15, 2009 por limajornalis

Enquanto estávamos dentro daquele ônibus, desses quando vamos aos domingos na casa da vovó, olhava para seu tênis all star branco e não entendia por qual motivo, ele falava daquela maneira, dizia que estava com aqueles tênis, pois seus sapatos estavam molhados e repetia bem alto que só estávamos indo de ônibus, porque o carro estava estragado, ele ria e nós também.

Às vezes parecia um vendedor de sonhos, e eu comprava todos, em minhas brincadeiras sempre estava algo semelhante aquilo que sempre ouvi, fui me tornando tão infantil, que não consigo mais sair daquele lugar.

Ele sempre com suas estórias engraçadas e criativas, adorava quando ia me buscar na escola, quando me levava ao seu trabalho,brincávamos de mãe-esconde e bicicleta, íamos a lugares que hoje não reconheço mais.

Aos doze anos ficava um pouco envergonhada, quando ele sonhava e só repetia as mudanças que nunca vinham. Não havia nada que me deixasse mais irritada quando ele dizia: ”está vendo aquele cara na TV? eu o conheço”. Parecia tudo tão ilusório, hoje entendo os motivos de seus sonhos e estórias mirabolantes, pois quando vejo um conhecido na TV logo me lembro do papai.

Redoma

setembro 5, 2009 por limajornalis

No aquário de vidro, um buraco e por trás o rosto, um porta que dá acesso para alguém que passa horas em serviço e a disposição de olhares e dúvidas.
Na cabine de 2 metros de comprimento e 1,5 de largura, a frente um caixa com muitas notas de vários valores e histórias, a 20 metros da central da fiscalização e 10 metros da passarela dos biarticulados (sentido centro). Duas catracas na lateral o espaço que todos têm de passar com seus cartões.
No vidro que separa os olhares, avisos colados na frente, adesivos com valores da passagem R$ 2,20 de segunda à sábado e R$ 1,00 aos domingos e cartazes da gripe A.